DATABASE
- Trabalhos
O
DIAGNÓSTICO GENÉTICO PRÉ-IMPLANTAÇÃO
E SUAS NOVAS INDICAÇÕES
Carmen
Rubio, Sérgio Reis Soares, Lorena Rodrigo, Emilia
Mateu, Amparo Mercader, José Remohí
Instituto
Valenciano de Infertilidad (ICI - Valencia) Plaza de la
Policía Local 3, 46015, Valencia, Espanha.
O
impacto das alterações cromossômicas
numéricas do embrião na capacidade reprodutiva.
A
incidência na população geral de doenças
resultantes de uma anomalia genética detectável
é de 1-2% com predomínio das alterações
cromossômicas sobre as gênicas. A maior parte
das alterações cromossômicas (numéricas
ou estruturais) são o resultado de erros repetidos
que tem lugar durante a gametogênese de individuos
com cariotipo normal, especialmente freqüentes na espécie
humana (1-3). A incidência de aneuplodia nos embriões
pré-implantatórios, estimada desde embriões
obtidos de ciclos de reprodução assistida,
varia de 20% a 70%, segundo os diferentes autores (4-7).
Um processo de seleção negativa dos embriões
cromossomicamente anormais determina que, no momento da
detecção clínica da gravidez, a freqüência
de aneuploidia já tenha baixado a 5,5% , e ao nascimento
a 0,3% (8). Como evidência de tal seleção
negativa, de 50 a 70% dos abortos espontâneos (2,9-12)
e 6% dos natimortos (13) apresentam alterações
cromossômicas. Mais recentemente, com o análise
das velosidades coriais, se tem visto que a porcentagem
referente aos abortos pode aumentar até 83% (14).
Com
a introdução do diagnóstico genético
pré-implantacional (PGD) e da técnica de hibridação
in situ fluorescente (FISH) nos laboratórios de reprodução
assistida, têm-se realizado numerosos estudos que
parecem indicar que a referida seleção negativa
tem seu início antes da implantação,
no período compreendido entre a fecundação
e o desenvolvimento embrionário até blastocisto.
Durante esse período, os embriões portadores
de determinadas anomalias cromossômicas degenerariam
ou seriam obstruídos em fases iniciais do seu desenvolvimento.
A relação das anomalias cromossômicas
com a morfologia embrionária também tem sido
estudada. Almeida et al. observaram que embriões
humanos classificados como de pior morfologia apresentavam
maior incidência de anomalias cromosômicas e
de bloqueio do desenvolvimento in vitro (15) e Pellestor
et al, encontraram maior incidência de anomalias cromosômicas
em embriões muito fragmentados (grau IV) (16).
Nosso
grupo analisou a influência de determinadas anomalias
cromossômicas na capacidade de desenvolvimento até
o estado de blastocisto. Encontramos que a porcentagem de
embriões cromossomicamente normais que chegam ao
estado de blastocisto é significativamente superior
à dos embriões com anomalias cromossômicas
(54,4% vs 33,6%), respectivamente). Porém, estes
dados também confirmam que a seleção
negativa dos embriões cromossomicamente anormais
no período pré-implantatório não
é absoluta e depende do tipo de anomalia cromossômica:
as trissomias e os mosaicismos não tiveram um efeito
deletério sobre o desenvolvimento embrionário,
já que 6,0% e 56,8% destes embriões, respectivamente,
chegaram ao estado de blastocisto, frente a 29,8% dos embriões
monossômicos (predominantemente
as monossomias X e 21, com 20% e 55% de chegada ao blastocisto
respectivamente). As monossomias autossômicas, muito
raramente encontradas nos abortos espontâneos, devem
ser responsáveis pelas perdas embrionárias
pré-clínicas (10,11,17). Magli e colaboradores
encontraram 40% de blastocistos com anomalias cromossômicas.
Além disso, Munnet et al. (20) observaram que nos
embriões com boa morfologia, as aneuploidias aumentam
com a idade.
O
diagnóstico genético pré-implantacional
no contexto clínico
Durante
os últimos anos, têm-se desenvolvido técnicas
que permitem a análise cromossômica de células
isoladas do embrião antes de que este seja transferido
ao útero materno. Nisto consiste o diagnóstico
genético pré-implantacional mediante a técnica
de FISH, que abordaremos aqui.
Então,
depois do tratamento do FIV, realiza-se a biópsia
embrionária na qual extraem-se uma ou duas células
embrionárias (os blastômeros) que são
analisados posteriormente. Esta técnica é
de grande interesse para aqueles casais com risco elevado
de transmissão de anomalias cromossômicas por
descendência.
A
metodologia
Biópsia
embrionária e fixação dos blastômeros
Realiza-se
a biópsia embrionária no terceiro dia do desenvolvimento
in vitro, quando os embriões têm entre 6 e
8 células. A retirada de um número de células
correspondente à quarta parte da massa embrionária
neste momento não tem implicações significativas
no desenvolvimento embrionário até o estado
de blastocisto, nem a capacidade para proceder ao hatching
(21). Os blastômeros são extraídos mediante
o método de aspiração depois de realizar
um orifício na zona pelúcida com a solução
ácida de Tyrode. Extraem-se um ou dois blastômeros
nos quais pode-se ver (prévio ao retiro) um núcleo
interfásico único no seu interior. A técnica
de FISH requer que o núcleo se extenda a um porta-objetos
previamente desengordurado, com a precaução
de eliminar por completo os restos de citoplasma que podem
ficar ao redor e de conservar a integridade e morfologia
do núcleo.
A
hibridação in situ fluorescente (FISH)
A
FISH permite quantificar as cópias de cada cromossoma
presente em uma célula. Para isto, utilizam-se sondas
com uma seqüência de bases complementares especificamente
a uma seqüência de DNA do cromossoma em concreto
que queremos valiar. Estas sondas estão marcadas
com fluorescência e em determinadas condições
vão hibridar com o DNA do núcleo que queremos
analisar. A molécula do DNA tem forma de dupla hélice,
portanto, para permitir que as sondas se unam ao DNA embrionário,
procede-se a separação das duas fitas que
formam a molécula. Logo, durante o processo de separação,
a sonda de DNA une-se à seqüência complementar
que se encontra no DNA do blastômero. Já que
as sondas estão marcadas com um fluorocromo, as amostras
serão examinadas com um microscópio de fluorescência
utilizando filtros adequados, que nos permitem identificar
as marcas fluorescentes do núcleo.
As
seqüências das sondas mais utilizadas podem ser
de três tipos:
Seqüências
a-satélite altamente repetitivas, que normalmente
se encontram localizadas nas regiões centroméricas
dos cromossomas. São as utilizadas normalmente para
os cromossomas X, Y, 16 e 18).
a) Seqüências específicas de locus com
uma ou muito poucas cópias. Este tipo de sondas dão
sinais muito mais pontuais. Deste tipo são as sondas
para determinar as aneuploidias dos cromossomas 13, 21 e
22.
b) Seqüências sub-teloméricas que nos
permitem analisar os telómeros ( do braço
curto ou do braço comprido) de praticamente todos
os cromossomas. Este tipo de sonda nos permite o estudo
indireto de praticamente todas as translocações
e investimentos.
As
anomalias que se observam com maior freqüência
nos abortos espontâneos são as trissomias dos
cromossomas 16, 21 e 22, a monossomia do cromossoma X (11.4%),
a triploidia (6.3%) e a tetraploidia (3.8%) (14). Em recém-nascidos,
as aneuploidias mais freqüentes são as trissomias
dos cromossomas 21, 18 e 13 e as aneuploidias dos cromossomas
sexuais. Nesta qualidade, nos casos de PGD por risco de
alterações cromossômicas numéricas
estudamos de maneira rotinária nos blastômeros
biopsiados o número de cópias dos cromossomas
13, 16, 18, 21, 22, X e Y. Alguns grupos incluem também
neste estudo aos cromossomas 1, 14, 15 e 17 (22-24).
Indicações
do PGD
Depois dos primeiros casos publicados (25), as indicações
mais consolidadas do PGD de anomalias cromossômicas
têm correspondido a:
1. os casos de doença com padrão de herança
ligada ao sexo (26-28)
2. as situações nas quais o incremento do
risco de produção de embriões com desequilíbrio
cromossômico numérico ou estrutural estava
claramente documentado: portadores de alterações
cromossômicas numéricas ou estruturais (29-32)
e idade materna avançada (33,34).
Por
outro lado, recentemente caraterizaram-se outras duas situações
nas quais uma produção elevada de embriões
com alterações cromossômicas numéricas
pode, ao menos em alguns casos, ser a responsável
pela dificuldade em obter uma gravidez a término.
Abortos
de repetição (AR) em casais com cariotipo
normal.
Os
AR (dois ou mais abortos prévios consecutivos) afetam
até 1% dos casais em idade reprodutiva (35). Dois
fatos apoiaram à consideração de dita
situação como uma possível indicação
de PGD: em primeiro lugar, depois da realização
de um protocolo de pesquisa adequado, aproximadamente 50%
dos casos seguem sem uma etiologia definida (36, 37). Exemplo,
só 4,7% destes casais estão compostos por
um membro portador de uma alteração cromossômica
estrutural equilibrada (1). Em segundo lugar, as alterações
cromossômicas numéricas são responsáveis
por uma elevada percentagem dos abortos do primeiro trimestre.
Baseado
nestes fatos, iniciamos em 1996 um programa de PGD para
pacientes com AR. Tinhamos o objetivo duplo de elucidar
se um aumento na incidência de alterações
cromossômicas em embriões pré-implantatórios
seria a explicação dos abortos repetidos nestes
casais e de medir o impacto da técnica nos resultados
dos ciclos de reprodução assistida, mediante
a seleção de embriões euploides para
transferência à cavidade uterina. Utilizamos
para o PGD sondas para os cromossomas 13. 16, 18, 21 22,
X e Y.
Foram
incluídos os casais com dois ou mais abortos, nos
quais detectou-se a causa dos abortos depois da realização
do protocolo diagnóstico de AR: ecografia vaginal
e HSG/histeroscópia, níveis basais de FSH,
LH, PRL, TSH e glicose, perfil para trombofilia (níveis
plasmáticos de antitrombina, proteína S e
C, e anticorpos antifolsfolípedes) e cariotipo do
casal.
Nos
resultados acumulados obtidos ao longo destes anos, temos
que o PGD por AR foi indicado para 71 casais, com a realização
de 86 ciclos de estimulação ovariana. Em 19
ciclos (22,1% do total), todos os embriões analisados
foram considerados anormais e não houve transferência,
enquanto que nos outros 67 ciclos foram transferidos uma
média de 1.5 ± 1.0 embriões, com a
obtenção de 23 gestações (taxa
de gestação de 34,3%). Dez destes resultaram
no nascimento de 13 recém-nascidos, nove ainda estão
em evolução (já passadas as 20 semanas),
uma foi uma gravidez ectópica e três terminaram
em aborto, reduzindo a taxa de aborto nestes casais a valores
próximos aos observados na população
em geral (13% vs. 15%), respectivamente).
Inclui-se
um grupo controle composto por 28 casais cuja indicação
de PGD foi uma doença com herança ligada ao
sexo. Realizaram-se 35 ciclos, com 31 transferências
embrionárias e uma taxa de gravidez de 29%, similar
a do grupo de pacientes com AR.
A
freqüência de embriões cromossomicamente
anormais foi significativamente superior no grupo estudado,
quando comparada com a do grupo controle: 70,7% vs 45,1%
(p<0,0001). Concretamente a freqüência de
aneuploidia também foi superior no grupo estudado
(56,5% vs. 33,9%; p< 0,001), exclusivamente devido a
um aumento nas pacientes com idade inferior a 37 anos.
Comparando
nossos dados com os do ESHRE Consortium, pode observar-se
que temos encontrado uma porcentagem mais elevada de embriões
cromossomicamente anormais (70,7% vs. 55,7%), que as taxas
de gravidez por transferência são similares
(34,3 % vs. 31,6%) e que o número médio de
embriões transferidos por nós foi inferior
(1,5 vs. 2,2).
Além
disso, temos constatado que 22% dos casais com AR tem 100%
dos embriões con anormalidades cromossômicas
e que a porcentagem de embriões anormais em ciclos
sucessivos de FIV em casais com AR é bastante constante.
Tais fatos determinam que, nestes casos concretos, o PGD
ainda que não resulte de utilidade terapêutica,
tem um valor diagnóstico fundamental, de grande ajuda
no estabelecimento de outras opções de tratamento.
Os
3 abortos que observamos depois do PGD demostram que não
podem descartar outros cromossomas não estudados
por nós como potencialmente implicados em abortos
(1&), em outras possíveis causas genéticas
com uma tendência repetida à perda de gestações
de embriões masculinos. Sabemos que a inativação
não aleatória do cromossoma X foi descrita
em mulheres com AR, o que sugere que elas poderiam ser portadoras
de mutações letais ligadas ao cromossoma X,
que determinaria uma menor freqüência de filhos
masculinos nestes casais. (38). Microdeleções
não detectadas no cromossoma X também poderiam
determinar uma situação similar (39). Naturalmente,
muitos outros fatores ainda desconhecidos poderiam também
ser os responsáveis de alguns casos de AR.
Pacientes
com falhas repetidas de implantação
A
falha de implantação (FI) define-se como a
ausência de gravidez depois de três ou mais
ciclos de reprodução assistida com transferência
de um bom número de embriões de boa qualidade.
Fatores associados ao embrião e ao endométrio
são os possíveis determinantes desta condição
e ainda carecem de uma definição mais exata.
Neste contexto de imprecisão etiológica, as
opções terapêuticas tendem ser controvertidas.
Até hoje, têm-se oferecido aos casais com FI,
o hatching assistido, o criopreservação de
embriões e o PGD.
Alguns
grupos tiveram bons resultados com a utilização
do hatching assistido (40), enquanto que outros não
tem observado utilidade no método (41).
O
cultura embrionária até o estado de blastocisto
tem sido utilizado como um instrumento capaz de selecionar
os embriões com maior possiblidade de implantação.
Temos observado que esta abordagem pode ser interessante
em casos de FI em pacientes submetidas a ciclos de doação
de óvulos, mas não para os ciclos com óvulos
próprios (42). Por outro lado, tem-se descrito uma
queda marcada das taxas de implantação e gravidez
em ciclos repetidos de transferência de blastocistos
(43).
Neste
contexto, o PGD constitui-se em uma proposta vantajosa com
relação às outras mencionadas, na medida
que carrega informação diagnóstica
da possível etiologia do FI. Estudos recentes tem
demonstrado que casais com FI produzem embriões com
alterações cromossômicas numéricas
com uma freqüência estatisticamente superior
aos do grupos controle. Além disso, o número
de ciclos de reprodução assistida realizados
parece predizer de maneira linear a taxa de embriões
com cariótipo anormal: tanto que em casais com 2
ciclos frustrados de FIV a taxa de embriões anormais
situa-se ao redor de 40%, este valor chega a 50% no grupo
com duas tentativas de FIV e a 67% em casais com mais de
5 ciclos de FIV sem gravidez (44,45). As anomalias cromossômicas
encontradas nestes embriões são predominantemente
os mosaicismos, as monossomias e as poliploidias. (6). Estes
autores relatam uma razão monossomia/trissomia de
3,5. Temos observado também um predomínio,
mais direto, das monossomias sobre as trissomias (1,6).
Tal predomínio pode explicar em parte, as falhas
de implantação nestes casais. Um aspecto importante
que devemos ver é que a elevada porcentagem de embriões
com alterações cromossômicas que chegam
a blastocisto em cultura in vitro (até 34%) (46,47)
deixam claro a limitação da cultura prolongada
como método de seleção dos embriões
normais para a transferência.
Em
relação à aportação terapêutica
do PGD os casais com FI, Gianaroli et al, relatam taxas
de implantação e de gravidez similares neste
grupo de pacientes submetidos ao PGD e no grupo controle
submetido ao hatching assistido (6).
Em
nosso centro, têm-se realizado 47 ciclos de reprodução
assistida + PGD em casais com este diagnóstico. As
taxas de implantação e gravidez foram de 18,8%
e 32,4% respectivamente. A idade teve uma importante influência
no êxito do tratamento, tendo melhores resultados
os casais compostos por mulheres mais jovens.
A
porcentagem de embriões cromossomicamente anormais
diagnosticados por nós (69,2%), mais do dobro do
observado no nosso grupo controle, é similar ao descrito
por ESHRE Consortium (60,8%). Porém, nossa taxa de
gravidez foi marcadamente mais elevada que a relatada pelo
Consortium (32,4% vs. 11%), com uma média de embriões
transferidos similar. Chama a atenção o número
de casos de gestações bioquímicas descritas
pelo Consortium: 12 de 20 gestações não
chegaram ao estado de detecção clínica.
Na nossa série, somente 3 de 15 ciclos com B-hCG
positiva não chegaram ao estado de detecção
clínica. Achamos que a diferença observada
na porcentagem de perdas precoces pode ser devido, ao menos
em parte, à associação de dois fatores
: a elevada freqüência de mosaicismos nos embriões
destes casais (44,45), e a prática rotineira no nosso
centro de biopsiar dois blastômeros sempre que possível.
Dado que em muitos centros biopsia-se somente um blastômero,
nossa possibiidade para diagnosticar mosaicismos seria superior,
o que contribuiria à seleção dos embriões
cromossomicamente normais, diminuindo o risco de perdas
pré-clínicas. No entanto, se para um futuro
precisasem estudos prospectivos randomizados para esclarecer
a eficacia da seleção de embriões cromossomicamente
normais em casais com falhas repetidas de implantação
e também para valorizar que cromossomas poderiam
estar realmente implicados na falha de implantação
e portanto deveriam estar incluídos nestes estudos
(48).
Conclusões
Nossos
dados reafirmam de maneira categórica que casais
com AR e FI produzem embriões com alterações
cromossômicas numéricas com uma freqüência
superior dos casais sem estes problemas. Além disso,
muitas destas anomalias cromossômicas ( principalmente
as trissomias, a menossomia X e s mosaicismos) são
compatíveis com o desenvolvimento in vitro, o que
lhe assinala ao PGD um papel diagnóstico e terapêutico
que , porém, só terá seu verdadeiro
impacto definido depois da realização de estudos
prospectivos randomizados nos quais um número suficiente
de casais com as indicações aquí abordadas
sejam estudados.
Além
destas considerações , devemos saber as limitações
atuais do PGD. O número de embriões que podem
ser analisados en cada caso é determinante dos resultados
do PGD, já que com poucos embriões ( menos
de 6) (49) as expectativas de transferência e gravidez
se reduzem consideravelmente. Condições associadas
a uma baixa resposta ovariana podem não se beneficiar
do papel terapêutico do PGD. Por outro lado, devemos
levar em conta a repercussão do mosaicismo em um
possível erro diagnóstico. Em nosso programa
de PGD, em aqueles embriões nos quais realizamos
dois blastômeros, encontramos 15% dos embriões
com resultados discordantes entre as duas células,
então em caso de gravidez sempre deve recomendar-se
a amniosíntese.
A
possibilidade de que qualquer cromossomo esteja envolvido
nas alterações numéricas demonstra
que novas tecnologias, como talvez a hibridação
genômica comparada (50), são necessárias
à valiação de toda a dotação
cromossômica da célula e também se estabelece
a interessante questão sobre a qual seria a verdadeira
incidência de anomalias cromossômicas em embriões
humanos desenvolvidos in vitro se todo o cariotipo fosse
analisado.
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Dr.
José Remohí